11 de outubro de 2012

Aline, a jovem reAparecida


                

                Há quatro encontros do Grupo Jovem "Servos de Maria", Aline não aparecia. Pelo fato dela morar um pouco mais distante dos demais, ninguém sabia o porquê de seu sumiço. Pois, ao menos ela respondia as mensagens no facebook...

                Porém, um determinado sábado, Maurício, seu amigo de varanda, apareceu no encontro, depois de sua longa viagem. Jonas, o mais atrevido do grupo, foi logo perguntando se Aline estava viva. Afinal de contas ela nunca deixara de dar satisfação a seus amigos. Maurício respondeu surpreso: "Ué, vocês bem sabiam que ela a algum tempo, estava insatisfeita com o desenrolar dos encontros, pois estávamos abordando assuntos polêmicos tipo: namoro santo, camisinha, sexo antes do casamento, homossexualismo... Ela não concorda com a posição da Igreja nestes pontos. Além disso, começou a namorar o Bruno, aquele garoto que sai com todas do bairro. Imaginem...  só Jesus na causa. 
Os olhares entrelaçados demostravam a preocupação de todos.

                Fred, o cabeça do grupo, lamentou profundamente e disse: "Senhor, tenha misericórdia da Aline, ela não merece o Bruno. Esse rapaz já está levando-a para o mau caminho. Em um murmurio de oração disse: "Mas em nome do Senhor ela voltará...Neste mesmo instante refletiu consigo: "Realmente a Verdade dói em nossos corações, ou nós nos deixamos lapidar pela Palavra de Deus, ou não resistiremos a doce verdade de Cristo." O encontro seguiu com a fé expectante, vinda do vigor daqueles jovens.
                Daquele sábado em diante, os jovens se uniram e fizeram um propósito de oração e de jejum, por Aline e todos os seus amigos afastados da Igreja. No mesmo dia, escreveram no verso de um cartãozinho, com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a quem Aline era muito devota, dizendo que amavam muito ela, e que a esperavam no dia seguinte na missa das dez. Ela não foi à missa!
                Passaram-se ainda vários sábados sem que Aline aparecesse, contudo eles persistiam no propósito de comungarem e jejuarem por ela e pelos demais. 

                Estava chegando os festejos da padroeira do Brasil, o Grupo Jovem preparava uma grande encenação para homenagear a Mãe de Jesus, no Título da Conceição Aparecida. 
Dia 12 de outubro iria cair justamente num sábado. Havia cinco sábados que eles ensaiavam a peça, com muita seriedade e sem deixarem de ser jovens, muita descontração, risos e piadas. 
Começaram a espalharam cartazes por todo o bairro, divulgaram igualmente nas redes sociais. A vontade de levar a Palavra de Deus para todos era impressionante, embora ninguém se achasse digno de tão grande obra. Também chamaram todas as crianças das redondezas para a festa da Virgem Aparecida e para o espetáculo.

                Enfim o grande dia chegou. Tudo preparado, as cenas todas memorizadas, animação contagiante. A emoção tomava o coração daqueles jovens, a intenção era evangelizar, ninguém queria sobressair-se, todos unânimes no mesmo propósito.

                No pátio da igreja uma multidão aguardava atônita o início da peça teatral. Neste momento o coroinha Josué, bradou: "Senhoras e senhoras, atenção para o alto da Aparecida, vai começar o espetáculo..." Durante o evento ninguém piscava, tamanha a atenção do público: foi um talento só, todos aplaudiram em pé.

                Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Brasil ficou mais conhecida e amada naquela paróquia; a encenação foi comovente, muitos dentre a multidão comoveram-se com a apresentação, inclusive Aline. Ela sentiu um chamado interior para assistir a apresentação, e veio para a festa. Fez bem, pois a oração ministrada por Fred, no final da encenação, tocou profundamente o coração fragilizado de Aline. Quando os jovens terminaram de rezar, ao som da música Nossa Senhora, correram com grande entusiasmo para os braços da jovem amiga. Foi um chororô! Abraços e beijos, um "eu sabia", declarações e o reencontro. Tudo fora atribuído a uma graça da Virgem, que curou parte das feridas do coração de Aline.

                Enquanto rolava a festa, eles sentaram-se no jardim em frente à igreja, e foi naquele espaço que Aline abriu o coração: "O Bruno só me enganou, queria era transar comigo, me usou. Eu deveria ter ouvido vocês, meus verdadeiros amigos! Ele só me ligava final de semana, me chamava para sair, bebia com os garotos do bairro e me levava para um motel. Nem sei o que deu em mim, eu me entreguei por amor, pensei que fosse para sempre... Agora em meu coração só resta mágoa, frustração, culpa e um remorso imenso. Será que Deus irá me perdoar?” Fred, com sabedoria divinna, abraçou a amiga e ao pé do ouvido falou: "Deus sempre está disposto a perdoar quem verdadeiramente se arrepende, Ele te ama e te quer feliz..." Respondeu em soluços Aline: "Eu deveria saber, a Igreja quando ensina essas coisas difíceis é para nosso bem..." O padre já estava esperando Aline para ouvir sua confissão, pois o atrevido do Jonas conseguiu tirar o padre do meio da festa e trazê-lo para o jardim.

                Ao final do sacramento da penitência, o sacerdote lembrou que o dia seguinte era Domingo, dia de encontrar Jesus na Eucaristia, ou seja, mais um passo para a cura.

                Todos estavam ansiosos querendo saber porque ela demorou tanto para voltar para a Igreja. Aline, com um olhar brilhante e um sorriso de orelha a orelha brincou: "Porque senti saudades dos abraços calorosos de vocês! Também por isso, e completou: “Contudo o que me trouxe de volta foi a mamãe Aparecida. Faz apenas uma semana que li o cartãozinho enviado por vocês a mais de um ano. Minha mãe falou que Maurício tinha deixado lá em casa, como eu não estava, ela colocou dentro da minha bíblia. Semana passada abri minha bíblia pela primeira vez desde então, justamente onde estava o cartãozinho, com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, como se não bastasse a passagem bíblia era do Magnificat. Imaginem como chorei horrores... foi um grande sinal da mãezinha do céu!

Graça e Paz, xP.

Rodrigo Stankevicz


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