Olhai os lírios do campo

O descanso do corpo inicia pela alma

Entre seus olhos e a natureza, existe a mais perfeita terapia. A harmonia dos pensamentos, o descanso da mente pode estar num desabrochar de rosa, em um amanhecer desenhado pela aurora, o sol escondendo-se atrás das montanhas.
A natureza nos ajuda a não confundir a alegria com felicidade, essa pode ser nossa atividade principal, quando paramos o tempo, e contemplamos, as belezas simples e singelas ao derredor. A alegria é agradável, e feliz de quem a tem todos os dias, manifestada com um largo sorriso estampado no rosto. Porém, a alegria é um tanto quando passageira, este estado de espírito se reveza com a dor, mais um motivo para não acharmos que nossas dores são infelicidades. A felicidade é duradoura, é um sentimento inerente ao ser humano, uma busca incansável.

A vida nem sempre é fácil, que o digam os que sofrem; esta afirmativa, todos assimilamos facilmente. Mas porque não voltarmos o olhar para os detalhes significativos, que podem causar arrebatamento, quando contemplados em sua essência?

A correria célere do cotidiano tem nos privado, sobremaneira, de darmos olhos a alma, e deixá-la encantada, com as flores, montanhas, mar, com as borboletas, afinal você algum dia correu atrás de borboletas? Se sim, deve ser por isso que a vida tem sido dura. Experimente cultivar o seu jardim do amor, do carinho, da compreensão, da paciência, e deixe que as borboletas venham até você.
Manoel de Barros poetiza, “penso renovar o homem usando borboletas”, quem sabe a sua revigoração interior esteja em observar mais as borboletas de Manoel.

No frenesi de um dia exaustivo, em que aparentemente nada saiu como queria, você parou seu olhar, nem que fosse por um instante, instante de eternidade, na bela orquídea, no pomposo lírio, na floricultura da esquina no quarteirão do banco? Ou várias flores juntas, num jardim, de uma praça qualquer, como que acenando para você com a ajuda do solícito vento?

Jesus Cristo, o poeta da Vida, dizia “olhai os lírios do campo”, contemple as belezas singelas, elas tem muito a nos dizer.

Sua alma também tem ouvidos, e gosta de embalar-se com o canto dos canários, sabiás, rouxinóis, bem-te-vi, etc.
O grande escritor Russo, Dostoievski afirmava “a beleza salvará o mundo”, essa beleza é Deus, se as obras são esplêndidas, imagine o Autor. Porém, é importante lembrar que a natureza não é o fim, é um dos meios para se chegar a Deus, autor e consumador da Criação. O descanso do corpo inicia pela alma. Inclua esta terapia no seu dia-a-dia, e você verá que o equilíbrio, a ordem, a harmonia da natureza lhe trará à lembrança que você é um ser humano, que chora, que grita, que canta, que dança, que sorri, que ama, e que é obra-prima de toda esta beleza, e feliz!
Conquanto, a vida te pregue peças, que te faça chorar, sofrer, mesmo assim você é feliz. Você só pode escolher a infelicidade, pois já é portador da felicidade. 

Adélia Prado, alegrava-se ao dizer, “não tenho tempo algum, ser feliz me consome”, tenho a leve impressão que seu tempo também era ganho, dando olhos a alma, e observando as maravilhas, as cores da natureza, isto a fazia feliz. Não sobrava tempo para Adélia se prender aos dissabores e desatinos da vida, seu ofício era ser consumida pela felicidade.
Não perca o tempo valioso de sua felicidade com besteiras, bobagens passageiras que não edificam. A felicidade também vem pela natura, entra pelos olhos, porta da alma, e hospeda-se no recanto do lar de seu coração, ali faz morada eterna.
Viva a felicidade! 

Graça e Paz, xP.

Rodrigo Stankevicz.

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