5 de junho de 2012

Estratégia Espiritual


        






“Foge do pecado como se foge de uma serpente;
porque se dela te aproximares, ela te morderá.”
(Eclo 21,2)

         Todo cristão precisa ter estratégia na luta contra o pecado, do contrário será uma luta sempre sem grandes resultados. Não desprezemos as palavras do Senhor “os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz” (cf. Lucas 16,8). Esta expressão pode ser inversa, se nós, filhos da Luz, tivermos critérios em nossos empreendimentos espirituais. Veja, não basta lutar contra o pecado em si, infelizmente somos inclinados a ele, deste modo, a forma mais eficaz para se combater o pecado é conhecendo-o.

         Sun Tzu, filósofo chinês, apresenta diversas estratégias em sua obra clássica, “A arte da guerra”, numa delas nos diz: “Os que sabem quando lutar e quando não lutar são vitoriosos.”. Pois bem, o que eu quero dizer com isso, é que nem sempre sairemos vitoriosos na luta contra o pecado, por isso, muitas vezes, a melhor saída é fugir dele, ou de sua ocasião. Ouve a recomendação de São Josemaria Escrivá: “Não tenhas a covardia de ser “valente”; foge!”. Isto sim é ter estratégia, desta maneira qualquer um pode sair vitorioso. Minha vovó já dizia, que de valente o cemitério está cheio, será que o inferno também?

         Outra estratégia indicada pelo general Sun Tzu é a seguinte: “Não será vantajoso para o exército atuar sem conhecer a situação do inimigo.” Ora, o inimigo de nossa alma, por ventura, não é o pecado? Então, resta-nos conhecer sua atuação em nós, pois sem critério não chegaremos a lugar nenhum. Todos lutamos por um ideal, desejamos alcançar um objetivo. Nossa meta na luta contra o pecado é a santidade, e para que a santidade? Com a santidade, além de darmos sentido à vida, encontraremos a felicidade, tão almejada por todo ser humano. Embora, nem todos, tenham consciência de que nos fala Santo Agostinho: A busca de Deus é a busca da felicidade. O encontro com Deus é a própria felicidade.”
         Sendo assim, o melhor a fazer é estudar seus próprios pecados. Mas de que maneira? A primeira maneira, sem dúvidas, é uma boa e profunda confissão. Não adianta, ao confessar-se, mascarar o pecado, com nomes diferentes. Ou ‘esquecer’ propositalmente por vergonha, até mesmo falar pela metade, aquilo que convém.  Pecado é pecado, faz mal a alma. “O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna”. [Catecismo da Igreja Católica – 1849]

         Uma má confissão é semelhante a uma poda. Faça a experiência de cortar pela metade, ou até mesmo rente ao chão, uma erva daninha. Em pouco tempo, ela brotará novamente, muito diverso de arranjar pela raiz a mesma erva. E olha que arrancar não é fácil! Arrancar requer um esforço. No caso do pecado, o exercício de arrancá-lo do coração é dolorido, fere, porém a graça da absolvição tem o poder da cicatrização.

         Além disso, para se chegar à raiz do pecado, é necessário saber em quais ocasiões você peca, exemplo: Ambiente, pessoas, circunstância, objetos, etc.

         Tudo pode levar ao pecado, desde uma simples imagem, palavra, ou atitude de outrem. Se o problema é falar palavrões, preciso identificar em que ambientes e circunstâncias isso acontece:

         Por exemplo, pode ser que quando vou ao Maracanã, numa final de campeonato, assistir a uma partida de futebol, seja o momento em que eu mais fale mal da mãe do árbitro, ou cada lance inacreditavelmente perdido pelo atacante, eu insulte ainda mais. Neste caso, preciso tomar uma postura cristã. Se sei que ir ao Maracanã assistir uma final de campeonato, será motivo de queda para mim, devo assistir em casa, ou no bar da esquina com os amigos.
         E mesmo em lugares diferentes, devo pedir a Deus o “domínio de si”, fruto do Espírito Santo. (cf. Gálatas 5,23) O exemplo é tosco, porém serve para refletir.
         Uma forma de se policiar, é trocar os palavrões por louvores a Deus. Imagine aquela bola açucarada lançada nos pés do Deivid (Atacante do Flamengo, que consegue perder gols inacreditavelmente), sobra somente ele e a trave, e o cara consegue errar os sete metros da trave, isola a bola. Era para soltar logo um daqueles palavrões, dos mais baixos possíveis, contudo, você começa a glorificar a Deus dizendo: “Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo”, mas não espere que o resto da torcida responda: “Para sempre seja louvado”, (risos).


 Outro exemplo, é bater o dedo mindinho na quina do guarda-roupa, imagine a dor, e em anexo os palavrões. Com uma mente convertida e um coração dócil ao Senhor, de imediato louva-se a Deus, invoca os santos e anjos. Vale a pena tentar realizar este ato nobre, na constante luta contra o pecado, pois "Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado”. (cf. Hebreus 12,4).





        Contudo, por graça de Deus, já temos esta disposição de aversão ao que é mal, e ao pecado. Porém, nem sempre damos ouvidos a doce voz do Espírito Santo.
Graças à sua missão régia, os leigos têm o poder de vencer o império do pecado em si mesmos e no mundo, por sua abnegação e pela santidade de sua vida.”  [Catecismo da Igreja Católica – 943]


Graça e Paz, xP.
Rodrigo Stankevicz
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