16 de dezembro de 2011

A paciência tudo alcança



Uma das súplicas que com mais frequência pedimos e ouvimos é “Ah, meu Deus dai-me paciência!”. Incessantemente suplicamos ao Senhor essa virtude, porém nos falta perspicácia suficiente para percebermos que Deus concede a virtude aliada à prática.

Nosso Senhor em sua infinita sabedoria, nos proporciona ocasiões para que sejamos pacientes. O hábito faz a perfeição! Quer ser paciente com seu esposo ou sua esposa, com seu pai e mãe, irmãos e amigos? Então aproveite as oportunidades que o Senhor lhe concede, e pratique a paciência. Quantas vezes você se deparou diante daquela situação em que era suficiente um pouquinho mais de paciência para ser resolvida? Bastava respirar fundo e oxigenar o cérebro, ao invés de responder com tanta aspereza. Vejamos a recomendação que a Palavra de Deus nos dá: "Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso. Não cedas prontamente ao espírito de irritação; é no coração dos insensatos que reside a irritação"  (Eclesiastes 7, 8b-9). Percebe como a pedagogia de Deus é diferente da nossa?


Na oração de Santa Teresa D´Ávila há uma referência sobre a paciência que diz: “a paciência tudo alcança”, todavia para alcançar esse “tudo”, precisamos de muita luta espiritual, muito silêncio. Se for preciso “engolir um sapo” de vez enquanto, não há problema, o importante é atingir nossa meta principal, a eternidade. Não à toa os santos costumavam dizer que uma das formas de martírio, além do da morte de espada, era o martírio da paciência. Assim sendo, ser paciente é uma via segura que nos conduz à santidade. Alcançamos a fortaleza nas adversidades, cultivando a paciência. Porém, o sofrimento somente é vencido pela graça de Deus unido a nossa perseverança.


Esta virtude dos fortes, cada vez está mais escassa  em nossa convivência, exige antes de tudo, a confiança em Deus. A paciência é o alimento que sustenta o diálogo. Quando o fio da comunicação familiar se fragiliza, nada melhor que a prática desta virtude. Quantas famílias se desestruturam, separam-se devido à falta de diálogo, de uma boa conversa, ao pé do ouvido, com o cônjuge ou com os filhos. Por vezes, trocamos a paciência pelo orgulho – recordemos novamente: “Um espírito paciente vale mais que um espírito orgulhoso.” (Ecle 7, 8b). – Fixamos uma ideia na cabeça e por nada voltamos atrás, não admitimos erros, seja nosso ou de outrem. Colocamos uma barreira que nos distancia dia após dia. O erro deveria ser uma ponte para o acerto, não um obstáculo capaz de criar um abismo entre pessoas importantes em nossa vida. Nosso erro maior não é falhar por ter tentar, mas desistir sem ao menos ter tentando. Necessitamos, contudo, de muita coragem para superar essas fragilidades provocadas pela fraqueza humana, os fortes de espírito encaram esse desafio da convivência familiar na dificuldade, porém com confiança; ao contrário dos fracos, que lhes faltam o equilíbrio e ousadia para, sem medo, arriscar vencer as barreiras. Outros pensam, que por serem fracos não conseguirão, suas forças são poucas. Além de lhes faltar coragem, falta-lhes confiança na misericórdia de Deus, que tudo sonda.  Nesta perspectiva, inúmeras famílias, em seu íntimo, carecem de esperança: esperança em pagar as dívidas, esperança na união da família, esperança no obstáculo das drogas e álcool, esperança contra a violência, esperança na fidelidade conjugal, esperança no futuro, etc. O fundamento da esperança está justamente na paciência, como ouvimos dizer da Sagrada Escritura: “a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana” (cf. Romanos 5,4-5). Irmãos, a esperança não engana, pelo contrário ela elucida a nossa paciência em todas as atribulações, pois na provação resta-nos apenas esperar com paciência a graça vinda de Deus.

        

A paciência também nos salva, pois o Senhor utiliza dela para conosco, São Pedro nos afirma: “O Senhor não retarda o cumprimento de suas promessas, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam.” (cf. II Pedro 3,9). Ora, se nosso Senhor usa de paciência com a gente, e isso é sinal de misericórdia, não sejamos diferentes para com quem atravessa em nosso caminho, sejamos também sinais de salvação para quem precisa. Seja paciente e tolerante com a vizinha, que insiste em fazer fofoca; seja paciente consigo na luta contra o pecado; tenha paciência nas relações difíceis, no tempo certo a transformação virá e, então você colherá os frutos das sementes lançadas nos sulcos da paciência.


Façamos juntos a oração da mística e doutora da Igreja:


Nada te perturbe,

nada te amedronte.

Tudo passa,

a paciência tudo alcança.

A quem tem Deus nada falta.

Só Deus basta!

Santa Teresa de Ávila


Graça e Paz, xP.
Rodrigo Stankevicz


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