29 de agosto de 2011

A liberdade pela qual ansiamos





A liberdade é conquistada sem ideologias, evidenciada na verdade. Muitos dizem que ao entrar para a Igreja, ou frequentá-la regularmente torna-se um perigo para a liberdade. Veem a religião como um conjunto de restrições que, além de roubar sua "liberdade" fecha seus olhos para o mundo, colocando como que viseiras.
    
     Por ignorância é confundido liberdade com libertinagem. Dizem "sou livre" e, vivem num hedonismo sem precedentes, sobretudo na pós-modernidade, período em que é detestado o limite, a privação, e o sofrimento é visto como um castigo. Contudo, na sabedoria de Léon Tolstói, escritor Russo do século XIX, encontramos um fragmento do conceito autêntico, acerca da liberdade. Léon diz que " não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade" ouso acrescentar, a verdade de uma maneira integral, pura em sua essência, não a verdade equivocada. Contudo, Tolstói completa dizendo  "a liberdade não é um fim, mas uma consequência", consequência de uma verdade bem vivida. Encontramos um exemplo claro na vida e conversão de Santo Agostinho. O Doutor e Bispo da Igreja transitou por todas as correntes da filosofia pagã indo do maniqueísmo ao neoplatonismo. Buscou, pois, a verdade em várias doutrinasnenhuma a preencheu, sua sede de verdade o fez ir além, e nas pregações de Santo Ambrósio, enfim, encontrou-se com a verdade, que o fez rezar "tarde te amei, Beleza antiga e tão nova, eis que procurava fora o que estava dentro de mim", e a consequência desta verdade foi justamente a liberdade, tão grande que o levou às honras dos altares.
    
 Jesus Cristo denominou-se como "o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6), portanto não andemos por atalhos, nem escolhamos a mentira, que por vezes nos engana, e por fim "escolhe pois a Vida" (Dt. 30,19).
Não permita que as ideologias neutralizem seus pensamentos, aliene sua consciência, pois, deste modo estará corrompendo a sua liberdade, e por conseguinte afastando-se da verdade. Busque a resposta para um mundo em que as ideologias querem igualar tudo, relativizar os conceitos eternos, pondo à prova as palavras de Cristo. Quem disse que o que é falado nas universidades, na mídia corresponde com a verdade, e prima pela liberdade do receptor, qual o critério usado para propagar essas "verdades". Ao meu pensar, surge como confusão para uma geração "ctrl+c" - "ctrl+v". Estamos fadados a nos tornar repetidores de meras informações inverídicas, papagaios de uma mídia decadente.  Críticos de plantão, questionem seus próprios conceitos, apurem suas "verdades", sejam fiéis consigo mesmos. Neste quebra-cabeça um lado da liberdade encaixa-se com a verdade, porém, se isso não acontece em suas concepções, está na hora de recomeçar à exemplo de Santo Agostinho.
     
     Dentro da Igreja sua visão se aguça, pois é na doutrina da Igreja, fundamentada na verdade do Evangelho, que encontraremos as respostas para as aspirações humanas mais profundas. Todavia, no Evangelho não encontramos meias verdades, e porque na Igreja encontraríamos? Muitos tentam ajustar os ensinamentos da Igreja de um modo que lhes agradem, permanecendo apenas com o mel da vida cristã, o fel, a cruz de Cristo, poucos abraçam.Ora, Cristo veio ao mundo para agradar os homens ou ao Pai?Suas palavras são fortes, somente corajosos a vivem. "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me." (Lc 9,23). Ou somos íntegros e coerentes, ou estamos fragmentados com as meias verdades de um mundo pós-moderno mutilado, prostrado diante de uma liberdade ilusória.
     O coração humano anseia pela liberdade justificada na verdade. Verdade esta que "não é fruto da imaginação de cada indivíduo" como disse nosso saudoso beato João Paulo II. 


Rodrigo Stankevicz
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