11 de outubro de 2011

Afeiçoai-vos às coisas lá de cima


A vida do cristão é permeada por sacrifício e renúncia, pois, “já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Efésios 2,19), por esse motivo, devemos viver com tal. Não basta denominar-se católico - de IBGE -, necessário é buscar as coisas do alto.


A palavra de Deus diz em Colossenses 3,2: “Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às coisas da terra.” A primeira vista, achamos uma palavra comum, porém como é sacrificante viver esta palavra, no seu sentido total, requer muita fé e disciplina, explico: ‘Afeiçoar-se às coisas lá de cima’, quer dizer renunciar pequenas coisas do dia a dia, atos que nem sempre fazemos. Estamos atados, por assim dizer, às coisas da terra, de tal maneira, que por diversas vezes não cumprimos o primeiro dos mandamentos: “Amar da Deus sobre todas as coisas”, se é sobre ‘todas as coisas’ é preciso valer para todas as coisas, não somente para o que é conveniente a nós. Precisa valer sobre nossos afazeres, nossas vontades, nossa própria família. Quantas vezes faltamos à missa dominical para irmos ao cinema, ao teatro, a um aniversário, etc. Ser fiel a esta palavra, significa viver estreitamente ‘as coisas do alto’.

Enquanto nosso espírito aspira pela pelas coisas eternas, a santidade; a nossa carne pede às coisas da terra: fofocas; mentira; mesmo aquela mentira aceita socialmente, olhares maliciosos; pensamentos torpes; conversas libidinosas; etc., cedendo a essas coisas, sufocamos nossa alma com nossa liberdade mal empregada. Por vezes, rezar uma ave-maria durante o dia se torna entediante.
A Sagrada Escritura segue nos admoestando: “Mortificai, pois, os vossos membros...” (Colossenses 3,5). Nossos membros e sentidos, com efeito, estão imperando sobre nossa vida, a ponto de não conseguirmos ouvir uma exortação, logo revidamos, pois nunca estamos errados. Falta-nos ouvir em silêncio, como Maria o fez, mesmo sem entender, ainda que o fogo de nossa vontade queime em nosso interior.
Nossos erros, constantemente, são justificados, procuramos a quem culpar, não nos reconhecemos como pecadores. A arrogância, a autossuficiência do homem moderno chegou a uma estatura que não se admite mais sermos dependentes da misericórdia de Deus Pai. Toda essa realidade é afeiçoar-se às coisas do alto, e consequentemente, mortificar nossos sentidos e membros, ou seja, toda vontade dentro de nós. Entretanto, será que conseguimos ainda, dizer não a nós mesmos para satisfazer o próximo, ou continuamos em nosso mundo egóico?

Um desafio que você pode submeter-se, para testar sua busca pelas alturas, é marcar quanto tempo consegue ficar navegando na internet, pelas redes socias e sites; e depois comparar com o tempo que você permanece com a Palavra de Deus, com a oração do terço. Isso somente se tornará um desafio para você, quando conseguir obter constância na oração, aliás, a constância espiritual foi um dos vários segredos para que os santos conquistassem o céu.

Concluo lembrando da frase de Dom Bosco, que diz: “Quem obedece nunca erra”, discípulo apaixonado de Jesus tem um ouvido atenta à voz do Senhor, e daqueles que lhe orientam a alma, observando esses conselhos estaremos macerando tudo em nós, e deixando Cristo imperar em nossa vida, somente assim poderemos fazer das palavras de São Paulo as nossas, “ mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20).

Graça e Paz, xP.

Rodrigo Stankevicz


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